
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
O alicate de prata

(Coríntios, XII-44)
Naquela tarde, tudo parecia pesar: as nuvens cinzentas do céu, sua cabeça, seus olhos, seus ombros... todo o seu corpo! Atravessou a sala como um raio em direção ao quarto, o destino era as gavetas do armário do banheiro. Lá existem centenas de remédios, em especial aquele de caixa branca com letras enormes e uma tarja preta: Lexotan!
Vasculhou-as. Havia espalhado no chão um amontoado de coisas como: estojos e estojos de maquilagem, vários instrumentos de manicure e um alicate de unha de prata que ganhara de Maximiliano no Natal. Já fazia algum tempo que Gilda não o manuseava, pois preferia guardá-lo como que um retrato de Maximiliano.
Há um mês, desde que rompera o relacionamento, vivia com uma idéia fixa na cabeça. O sono já não fazia mais parte das suas noites, só se fosse acompanhado com copos e mais copos de suco de tomate com meia cartela de Lexotan.
Numa tarde, voltando para casa encontrou Maximiliano na floricultura da esquina. Escondeu-se atrás da pilastra para que ele não a visse. Saiu. Ela seguiu-o. Maximiliano entrou no prédio, mas não para o seu apartamento e sim para o da vizinha de dezoito anos.
Um tempo depois, Gilda descobrira que ele vivia em plena bigamia. Roupas, sapatos e os discos de bossa nova saíram voando pelo céu cinzento do décimo quinto andar. A vizinhança atenta acompanhava tudo... um espetáculo pirotécnico!
Encontrar o alicate de prata era sinônimo de encontro com o passado. Depois de tomar um copo cheio de suco de tomate, Gilda pegou o alicate. Agarrou-o com muita força causando um pequeno corte em sua mão. Olhou fixamente para a gata de olhos de vidro refletindo neles sua imagem triste e enfurecida.
Ficou à espreita de Maximiliano, não em seu quarto como de costume e sim no corredor do décimo quinto andar, no apartamento ao lado... o da menina de dezoito anos.
Ao ouvir o sinal do elevador, abriu a porta com uma violência indescritível. Olhar fixo em Maximiliano. Abordou-o segurando fortemente seu braço e como num golpe:
- O alicate de prata! Faltou te devolver. Jogou-o no chão.
sábado, 3 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Esse é pra tocar no rádio

Leo Cavalcanti expressa claramente o sentido da palavra artista. A primeira vez que o vi, foi no show do disco Rei da Cultura, de Péricles Cavalcanti que não sabia que era seu pai. Este, grande cantor e compositor e de carreira consolidada, dispensa comentários. Já Leo, cara de menino, de sorriso largo, carismático e de grande performance no palco, chamou muito minha atenção. Acredito que estava lá somente para acompanhar os outros músicos da banda, mas me desculpe Péricles, ele roubou a cena! Pelo menos para mim. quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Transtorno Obsessivo Compulsivo

Desde ontem, ouço esta mesma música várias horas do dia.
Quando não estou ouvindo, a letra fica batendo na minha cabeça o tempo todo.
A coisa é tão excitante que desisti de marcar consulta com Dr. Celso.
Clandestino
Manu Chao
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa' una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley
Mano Negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal
quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009
gato amarelo
Por Cíntia Bertolino
O bichano nasceu na cidade francesa de Orléans em 1997, quando o artista franco-suíço Thoma Vuille, o Monsieur Chat, deixou de fazer grafites para pintar com acrílico a rotunda figura pelas ruas. Rapidamente, o Gato se transformou num exemplo bem-acabado da chamada art coucou, que usa monumentos e outros cenários já existentes para roubar a atenção dos passantes, ao modo do cuco (coucou, em francês), ave que se apropria do ninho alheio.
Ainda na década de 1990, Vuille trocou Orléans pela capital do país, e o felino veio atrás. De uma hora para outra, lá estava ele a perturbar o cinza parisiense e a decretar o fim do reinado absoluto do sisudo Chat Noir, o gato preto dos postais, camisetas e outros suvenires. O que o novo personagem representava, ninguém sabia. Tampouco seu criador, que se nega a exibir o próprio rosto na mídia (prefere ocultá-lo sob a máscara do bichano). “As pessoas sempre precisam de explicações, mas o Gato é uma marca sem conteúdo. Podem lhe dar o significado que quiserem”, disse Vuille em rápida visita a São Paulo, a convite do consulado francês e da mostra I/Legítimo, encerrada em janeiro sob curadoria de Fernando Oliva e Priscila Arantes.
Na França, o personagem se converteu de ícone pop em ativista político, uma espécie de Chat Guevara. Virou estandarte em manifestações contrárias à Guerra do Iraque e à passagem do ultradireitista Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais de 2002. Dois anos depois, o felino engajado inspirou o documentário The Case of the Grinning Cat (algo como O Caso do Gato Sorridente), do cineasta Chris Marker. A partir de então, ficou internacionalmente conhecido e conquistou outras cidades do mundo. Em São Paulo, aparece no alto de uma parede na rua Cardeal Arcoverde, esquina com a João Moura, no bairro de Pinheiros. É o primeiro e único do Brasil.
Numa noite quente de janeiro, enquanto terminava de pintá-lo, tinta ainda fresca, Vuille foi abordado por um grupo de policiais, com armas em punho. Demorou, mas conseguiu explicar o que fazia. “Os pintores de rua brasileiros são realmente corajosos…”, concluiu, após se recuperar do susto.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Participem!

Camisa suja de batom

Confesso que fiquei espantada com a reportagem exibida pela Rede Globo sobre o sumiço de Belchior. Achei que estivesse caído no ostracismo e, talvez, de quando em quando aparecesse nestes programas vespertinos cantando seus velhos sucessos.
Sempre gostei desta estranha figura de bigode com voz mais estranha ainda. Em 97, uma amiga que trabalhava comigo, me presenteou com um disco dele, acústico, intitulado "Um concerto bárbaro", excelente por sinal. Eu chegava do trabalho e ouvia quase uma tarde inteira. Minha irmã mais velha morava atrás da minha casa, ela era casada com um cara enroladíssimo, mas gente fina, nos dávamos muito bem. Descofiávamos que ele tinha amante(s), porque minha irmã sempre me mostrava alguns indícios desta desconfiança. Pedi um dia que fosse a minha casa e coloquei a canção para ele ouvir no último volume, disse que era uma das minhas favoritas e sempre me lembrava dele quando ouvia. Sentou no sofá, ouviu atentamente. Ficou puto comigo. Infelizmente ele morreu jovem. Lembro que o visitei em seu último dia de vida, fiquei feliz por saber que apesar dos conflitos familiares, gostava muito de mim. Sempre que ouço a música, a imagem da cara brava dele vem à tona. Ainda bem que foi esta que ficou registada na minha memória, e não a do hospital, que aos poucos vai sumindo, como a fumaça das panelas das comidas maravilhosas que ele fazia. Estes dias lembrei de você e senti saudades. Ainda bem que o Gabriel é a tua cara e também gosta de um fogão, então a gente mata a saudade.
Eis a letra.
Eu estou muito cansado do peso da minha cabeça
Desses dez anos passados (presentes)
Vividos entre o sonho e o som
Eu estou muito cansado de não poder
De não poder falar palavra
Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito
E que eu acho tão bom
Quero uma balada nova falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental
Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Gatoterapia
sexta-feira, 10 de julho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Remexendo no baú da Etcetera...

"A Etcetera convidou algumas pessoas para escrever sobre o disco de sua preferência, qualquer um. Nada de lista dos melhores, o lance é pessoal mesmo. Texto ficcional, analítico, poético, filosófico, tudo isso junto ou nada disso, tanto faz".
Quando Novena foi lançado em 1994, eu tinha 18 anos. Lembro-me que comprei este disco devido a uma canção que tocava no rádio chamada “Sem saber”. Sempre gostei do Djavan, ainda antes dos 18, quando ia visitar meus parentes na zona leste, ficava junto com minha prima cantarolando “Lilás” bem alto, irritando os passageiros do ônibus. Não entendia porque gostava. Acho que pra gostar não precisa saber o porquê. A gente, assim, simplesmente gosta. Tenho um número considerável de CD’s do Djavan, alguns com grandes sucessos, mais significativos para a crítica e outros nem tanto. É o caso de Novena, pouco comentado. Acredito que nem seja seu melhor trabalho.
Ouvir as canções de Novena me remete a infância, aquela dos pés descalços, do banho de chuva no verão, visitas das tias em casa e a mãe chamando para entrar porque já está tarde. Nelas encontramos coisas que nos são ditas quando somos crianças, como na música que abre o disco, intitulada “Limão” que diz “preparar o peixe cheiro de limão me encanta...” “... e o sangue é água, muita água, uma nascente.” Sempre ouvi coisas do tipo: chupar limão transforma o sangue em água, faz mal, assim como tomar manga com leite é perigoso, porque é veneno misturá-los. Coisas que nossas mães/tias/vizinhas nos diziam.
As letras repletas de imagens, falam além da infância, do amor, de crenças, velhice e morte. São fases da vida contadas nas músicas sofisticadamente bem produzidas e arranjadas. Foi neste disco também que comecei a prestar atenção nas “outras pessoas” que, além do Djavan, deixavam as canções “mais bonitas”: flautas de Marcelo Martins, o piano de Paulo Calazans e o belíssimo e reconhecível som do baixo de Arthur Maia, que a partir de então comecei a gostar e acompanhar o trabalho dele com outros artistas. Talvez por essas e outras este seja o clássico da minha eterna infância.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
"Eita, David! Seu celular só dá caixa-postal!!

Para quem acha que na tv só tem porcaria, conheci David LaChapelle assistindo televisão. Estava jantando, sentada no sofá, quando começou um documentário sobre a vida e obra dele. Fiquei excitada, extasiada e paralisada. Queria conhecê-lo de qualquer jeito. Tive vontade de ligar para um monte de gente para ver se alguém tinha algum contato. Mas, infelizmente, eu e o mundo todo quer falar com LaChapelle.
Queria mostrar minhas novas letras, falar das minhas ideias e ver o que ele poderia fazer para a capa do primeiro disco da minha banda (quero que seja bolachão mesmo, com capa dupla e o escambau). Este será lançado na próxima encarnação. Até lá David, prefiro pensar que não consigo falar com você, porque só dá caixa-postal.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Um amigo chamado Douglas

Douglas (à direita) em solo alucinante em show da Subtotal no auditório do Sesc Vila Mariana
Mas neste post, não vou “resenhar” sobre a música do Subtotal. Falarei de Douglas, uma figura ímpar desta banda que tenho prazer de ter como compadre?! Sim, meus caros, ele é padrinho do meu gato primogênito Zappa. Marici – esposa – madrinha, e Mateus – filho – o primo de segundo grau. Passar umas horas num boteco bebendo com Douglas é sinônimo de muita risada. Conheço a figura há mais de dez anos e, sempre que estamos juntos, conta uma daquelas hilariantes histórias que jamais terá graça se eu tentar reproduzir qualquer uma aqui. São muitas: a festa da centopéia louca, a menina da cadeira de rodas, final de semana na praia com Valmir, o elefante na Verbo Divino, “pitis” e a última que me contou no último sábado lá na Mercearia São Pedro, a borrachada que levou e deu no Jorginho no Largo de Osasco. Saldo desta história: os dois acabaram bebericando juntos num bar. Dá para escrever uma antologia. São verdadeiras tragicomédias. O legal é que tenho um grande prazer em ouvi-las porque parecem ficção e, no entanto não são. Às vezes me dá a impressão que ele tem uns 105 anos, pois é muita história.
Além de músico, webdesigner, pai , marido e padrinho do Zappa, é o responsável pelas belíssimas capas e de toda parte gráfica da revista Etcetera. Já musicou, gentilmente, uma letra minha, que foi elogiada por Carlos Rennó e aprendi a ouvir blues atentamente depois que o conheci. Generoso, me apresentou The Meters, minha atual paixão e uma porrada de outros “neguinhos”do blues que paulatinamente comentarei neste blog.
Hoje este post vai para você Douglas, que além de grande amigo e uma das pessoas mais legais que já conheci, é o meu 2 ° leitor, porque só duas pessoas lêem este blog.
PS: Vai ter show do Subtotal em Junho em Osasco. Entrem no link da banda aí ao lado.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Meu passado me condena

quinta-feira, 14 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Hot Dog Funk Soul

Noite geladinha de outono, estava com vontade de comer um hot-dog, resolvi prepará-lo. Tenho como costume, colocar uma trilha sonora ao preparar o rango. Fucei meu armarinho sem saber o que ouvir, quando me deparei com Maria Fumaça da Banda Black Rio. Disco de 77, o primeiro do grupo, traz na pegada funk e soul da banda carioca, interessantes versões das músicas de Luiz Gonzaga, Edu Lobo e Ary Barroso.
Formada da década de 70 pelo saxofonista Oberdan Magalhães, ex-aluno de Paulo Moura, trouxe para cena musical brasileira não somente um som dançante, mas uma mistura de samba, soul e jazz que é o grande hiato do disco.
Coloquei o som para rolar no rádio da cozinha e de repente me vejo amassando o purê e fazendo os passinhos comuns dos bailinhos da década de 80. Comprei esse disco por acaso, mas fiquei com vontade de ouvir outros. Não sei como está o trabalho recente deles, só sei que foram três discos com Oberdan até 80, depois ficaram parados durante quinze anos após a morte por acidente de carro do mesmo em 84. A banda continua na ativa com o filho de Oberdan ,William Magalhães. Aos ouvidos desavisados, vale a pena ouvir este clássico e até o próximo rango.










