domingo, 31 de janeiro de 2010

Sub número quatro



O Diário Sonoro está de cara nova! Aproveito pra dar um toque sobre a edição 25 da revista Etcetera. Lá você encontra também o encarte eletrônico [sub]. Clique na capa e boa viagem!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

O alicate de prata


Fotografia de Cristiano Mascaro

"O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não ensoberbece, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade".
(Coríntios, XII-44)

Depois de um dia de trabalho exaustivo, Gilda chegara em casa. Trabalhava em uma loja de cosméticos. O emprego lhe caía como uma luva, já que era mulher de extrema vaidade. Vivia sozinha em um pequeno apartamento. Sua companhia era uma gata preta de olhos de vidro. Os homens já a decepcionaram há algum tempo. Acreditava que ainda poderia ser amada.
Naquela tarde, tudo parecia pesar: as nuvens cinzentas do céu, sua cabeça, seus olhos, seus ombros... todo o seu corpo! Atravessou a sala como um raio em direção ao quarto, o destino era as gavetas do armário do banheiro. Lá existem centenas de remédios, em especial aquele de caixa branca com letras enormes e uma tarja preta: Lexotan!
Vasculhou-as. Havia espalhado no chão um amontoado de coisas como: estojos e estojos de maquilagem, vários instrumentos de manicure e um alicate de unha de prata que ganhara de Maximiliano no Natal. Já fazia algum tempo que Gilda não o manuseava, pois preferia guardá-lo como que um retrato de Maximiliano.
Há um mês, desde que rompera o relacionamento, vivia com uma idéia fixa na cabeça. O sono já não fazia mais parte das suas noites, só se fosse acompanhado com copos e mais copos de suco de tomate com meia cartela de Lexotan.
Numa tarde, voltando para casa encontrou Maximiliano na floricultura da esquina. Escondeu-se atrás da pilastra para que ele não a visse. Saiu. Ela seguiu-o. Maximiliano entrou no prédio, mas não para o seu apartamento e sim para o da vizinha de dezoito anos.
Um tempo depois, Gilda descobrira que ele vivia em plena bigamia. Roupas, sapatos e os discos de bossa nova saíram voando pelo céu cinzento do décimo quinto andar. A vizinhança atenta acompanhava tudo... um espetáculo pirotécnico!
Encontrar o alicate de prata era sinônimo de encontro com o passado. Depois de tomar um copo cheio de suco de tomate, Gilda pegou o alicate. Agarrou-o com muita força causando um pequeno corte em sua mão. Olhou fixamente para a gata de olhos de vidro refletindo neles sua imagem triste e enfurecida.
Ficou à espreita de Maximiliano, não em seu quarto como de costume e sim no corredor do décimo quinto andar, no apartamento ao lado... o da menina de dezoito anos.
Ao ouvir o sinal do elevador, abriu a porta com uma violência indescritível. Olhar fixo em Maximiliano. Abordou-o segurando fortemente seu braço e como num golpe:
- O alicate de prata! Faltou te devolver. Jogou-o no chão.

sábado, 3 de outubro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Esse é pra tocar no rádio


http://www.myspace.com/leocavalcanti

Leo Cavalcanti expressa claramente o sentido da palavra artista. A primeira vez que o vi, foi no show do disco Rei da Cultura, de Péricles Cavalcanti que não sabia que era seu pai. Este, grande cantor e compositor e de carreira consolidada, dispensa comentários. Já Leo, cara de menino, de sorriso largo, carismático e de grande performance no palco, chamou muito minha atenção. Acredito que estava lá somente para acompanhar os outros músicos da banda, mas me desculpe Péricles, ele roubou a cena! Pelo menos para mim.
Não conseguia desviar os olhos dele durante o show, onde tocava percussão com grande competência e, em alguns momentos, fazia participações nos vocais. Aí pronto. Percebi que o cara cantava pra cacete. Chegando em casa, arrebatada ainda pelo que vi, fui pesquisar e cheguei até a sua página no Myspace. Lá encontrei preciosidades: canções e arranjos do próprio Leo, que misturam estilos musicais diversificados como música árabe, flamenca, o soul entre outras coisas e, claro, muita brasilidade. Resumindo: música popular de qualidade. Destaco aqui Sinequanon, em parceria com Tatá Aeroplano e A tal da paciência. Enquanto prepara seu cd, que deve ser lançado no início de 2010, vem se apresentando em vários locais aqui em Sampa. Em outubro, fará algumas apresentações na praça de eventos do Sesc Vila Mariana nos dias 3, 17 e 31 às 13h30, grátis.
Por que ir? Pelas apresentações vistas em seu Myspace , encontraremos frescor musical e originalidade, ingredientes fundamentais que faltam em alguns novos artistas do nosso cenário musical.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



Adorava assistir o programa do Chacrinha todos os sábados. Pensava seriamente, quando crescesse, me tornar uma chacrete. Sabia todas as coreografias, sei até hoje. Se algum parente mais próximo resolver ficar puto comigo, pode muito bem postar um dos videozinhos caseiros feitos em festas de família, onde pago uma de Rita Cadilac. Mas é só a coreografia mesmo, porque infelizmente não tenho aquela buzanfa toda.
Mas toda essa digressão é para falar de um sonho esquisito que tive alguns dias atrás com o velho guerreiro que, com certeza, nem Freud, nem o Dr. Celso explica ou explicaria. Sonhei que estava tendo aulas de matemática com este homem que jogava bacalhau para a plateia e que era chamado carinhosamente por Elke Maravilha de "Meu painho".
Explicava equação de 1º grau e, a cada pergunta que me fazia, se eu errasse, dava uma buzinada ensurdecedora na minha cara. Então dizia " Minha cara Adriana, quem não arrisca, não petisca" De repente, tocava aquela vinheta de abertura do programa "Aberlado Barbosa está com tudo e não está prosa" . Os colegas levantavam de suas respectivas cadeiras e cantavam em uníssono este hit e, ao mesmo tempo, dançavam ao meu redor, inclusive o Russo, este era o que mais se divertia com a minha desgraça. Desesperada, tapava meus ouvidos com os meus cadernos Tilibra. Todos, claro, riam, mas riam muito. Não chorava não, só ficava desesperada. Principalmente quando o velho guerreiro terminava uma resolução, aplicava uma prova na mesma hora. Eu olhava para a folha de questões e dava um interminável grito: nãããããoooooo. E foi assim que acordei, tentando gritar, mas a voz não saía. Foi uma das noites mais longas da minha vida.
Tive outro sonho, tão esquisito quanto, onde eu jogava futebol de areia com Caetano na praia de Perequê. Tava nublado. Ah! Esse eu conto outra hora.